TV Beauté: Papo randômico carreira: sobre síndrome do impostor e experiências!

O papo randômico de hoje é um pouco diferente, mas o início de uma série de conversas sobre um assunto que muita gente me pede para falar: carreira. Trabalho há 15 anos basicamente no mesmo universo – produzindo conteúdo de beleza, moda e lifestyle como jornalista e como blogueira -, uma carreira relativamente longa especialmente se pensarmos nas muitas mudanças que aconteceram na mídia nos últimos anos. Por isso, acredito que tenho muitas experiências que valem ser compartilhadas com quem pensa em trabalhar nesse meio, ou similares… E, para falar a verdade, servem até mesmo para quem trabalha em áreas totalmente diferentes.

Para começar essa série, queria falar sobre dois tópicos que acho fundamentais para conseguir consolidar uma carreira de sucesso: síndrome do impostor e valorizar experiências.

Vamos começar pela síndrome do impostor! Já me peguei em várias situações pensando coisas como “alguém deve ter errado”, “o que estou fazendo aqui?”, “não era para ser eu” e vivo fazendo um esforço consciente para entender que isso é uma bobagem. A gente tem que encontrar formas de dar uma trabalhada na autoestima para saber valorizar nossas histórias e carreiras. Se você está lá, é porque você fez por merecer. Mas ainda assim, vira e mexe penso isso, e aí começo a fazer uma autoanálise (risos) para organizar minhas ideias.

Sempre que vemos algum profissional que admiramos em alguma situação de destaque ou em um trabalho legal, pensamos que a pessoa está arrasando e totalmente no controle da situação. Mas às vezes, quando você tem a chance de conversar com essa pessoa, descobre que, na verdade, ela estava nervosa, insegura, morrendo de medo de fazer algo errado.

Precisamos conversar mais sobre esse assunto para ter sempre em mente que as pessoas que nos inspiram também têm essas ansiedades e inseguranças. E, provavelmente, tem alguém te observando achando que você está arrasando quando, na verdade, está suando frio. Acredito que ter essa consciência deixa tudo mais tranquilo – o bom e velho “não sou louca, não estou sozinha nesse barco”. Achei muito interessante ver esse assunto aparecendo na série de vídeos que fiz com a Beautybox entrevistando top executivas da beleza – vale a pena assistir, aqui, e ouvir as experiências delas!

É claro que pé no chão e humildade são muito importantes, mas precisamos aprender a valorizar nossos feitos e conquistas. E é pensando nisso que quero partir para o próximo tópico. Vejo muitas pessoas comentando como hoje em dia muita gente que está começando na carreira só quer fazer a parte legal do trabalho, e fica de bode quando precisa fazer algo mais mecânico ou trabalhoso ou menos glamouroso. E acho isso péssimo para a formação de novos profissionais – por muitas razões, uma bem óbvia sendo: não existe nenhum trabalho que só tenha lado bom, tarefas que você vai amar. Apenas aceite e tire proveito de tudo que tiver que fazer.

É super importante ralar um pouco e aprender com essas tarefas que podem até parecer inúteis, mas hiper ajudam na sua evolução. Não importa se você é ágil, talentoso e cheio de disposição. Sua idade ou a fase que está em sua carreira também não importam muito, aliás. Você não pode chegar em um trabalho novo achando que já sabe tudo, ou querendo só fazer a parte boa.

O conselho que eu dou é que não existe trabalho em vão. Mesmo que você esteja fazendo a tarefa mais insuportável da Terra, enxergue como uma experiência válida que pode te ajudar a desenvolver habilidades que você jamais imaginou precisar, mas podem ser necessárias lá na frente. Ou mude sua lente e tente encontrar um jeito de tirar proveito disso, use sua criatividade – às vezes vai ser num relacionamento que você pode estabelecer, ou viver algo que depois será história para contar. É válido!

No meu primeiro estágio, no site Chic da Gloria Kalil, lá nos idos de 2005, várias vezes minha chefe Alexandra Farah, que era a editora do site, me chamava às seis da tarde de sexta-feira para organizar catálogos. É aquele horário básico “sextou”, todo mundo louco para ir embora começar o final de semana, e eu a princípio poderia ficar de mau humor, mas adorava esse momento. Era uma oportunidade que eu tinha de ficar sozinha com a minha chefona, trocar ideia, ver como ela trabalhava… Aprendia coisas que a faculdade não ensina, só mesmo a experiência. E bagagem não é algo que brota do dia para a noite – você precisa viver. A sexta feira podia esperar um pouco para começar!

No fim das contas é preciso ter uma mistura dessas duas coisas: saber valorizar sua história e acreditar que você é capaz de assumir aquela super responsabilidade que te deram, mas também ter a humildade de reconhecer que ninguém sabe tudo, nem mesmo você. Os dois maiores exemplos disso são a própria Gloria Kalil e a Costanza Pascolato. Elas são os dois dos maiores nomes da moda no Brasil há décadas e seguem interessadas, estudando, aprendendo e buscando novas habilidades. Achar que sabe tudo é um problema. Ninguém sabe e, mesmo que saiba, o mundo muda e você precisa aprender de novo.

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